sábado, 29 de outubro de 2016

O abandono de idosos.

O meu pai faleceu há relativamente poucos meses. Esteve vários meses acamado, entre entradas e saídas no hospital.
Foi muitíssimo bem tratado, nada tenho a apontar a toda a equipa que o acompanhou no hospital público onde acabou por falecer.
Mas hoje, vejo o abandono dos idosos nos hospitais deste País com outros olhos. Nem sempre é porque os familiares o querem, nem sempre deveria ser considerado abandono. Possivelmente muitas das vezes é porque não têm mesmo hipóteses.
No caso do meu pai, ele estava em final de vida e mesmo assim, o objectivo era sempre estabiliza-lo e enviá -lo para casa. Não tendo uma pessoa meios financeiros e trabalhando, como conseguem os familiares dar conta destas situações, dado a limitada oferta de paleativos que existem ? Não dão. Na minha opinião, deixam de os ir ver aos hospitais e assim, fugir da responsabilidade e da pressão de trazê -los para casa, pois não têm como cuidar de um idoso acamado que necessita de ajuda e cuidados 24h por dia. Quem fala de um idoso, fala de uma criança. Fala de um acamado. Nem todos se podem dar ao luxo de largar um emprego para cuidar de um familiar. Nem todos têm uma boa rede de amigos e familiares que possam dar uma mão extra. Nem todos têm dinheiro para ter um acamado em casa. É triste, mas é real. Não será a realidade de todos mas, tenho quase a certeza que muitos se vêm a braços com esta situação que acaba por ser um drama.
Esta é a realidade.

7 comentários:

  1. Sim, tens toda a razão! Mas quando alguém diz que não consegue ter o familiar em casa acamado é imediatamente julgado como egoísta ou algo do género. Em algumas situações até poderá ser, mas as vidas hoje em dia não são fáceis para trabalhar e ser cuidador de alguém! Trabalhando e não havendo algum dinheiro, é realmente complicado!

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  2. O abandono é uma triste realidade...


    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  3. Eu podia contar-te a minha experiência pessoal sobre isso, mas digo-te apenas que, quando há vontade, tudo se consegue, quando não há, não faltam desculpas :)

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  4. Talvez....mas mesmo assim, acho difícil para quem não tem suporte a outros níveis.

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  5. Em primeiro lugar, gostaria de responder à Gata que não se trata só de 'vontade', quando ainda há alguma possibilidade é pq a situação ainda não se tornou verdadeiramente impossivel. Portanto nada de julgamentos p.f. Todos nós temos 'vontade' de dar o melhor aos nossos entes queridos, mas por força da situação por vezes eles necesitam de cuidados continuados por parte de profissionais que não podem ser dados em casa. E então é aí que no hospital publico nos começam a 'sugerir' levar os nossos idosos para um lar e pagar somas diabólicas como 1500 euros mensais...ou...mais e para o ter em condiçoes que nem sequer são as ideais. No caso do meu pai no dia em que estava a morrer de septicemia o staff do hospital estava a tentar convencer-me a leva -lo para casa ou para um Lar pq achavam que ele estava estabilizado e caso piorasse teria que o enfiar novamente numa ambulância e levá-lo. Teria que andar sistematicamente com um doente terminal para trás e para frente. Isto porquê? porque as ordens são para despachar os doentes do hospital para fora e libertar camas. No caso do meu pai não havia vaga para paleativos na rede numa instituição e nem sequer em casa. Aquilo que eu pergunto é, trazia-o para morrer em sofrimento em casa ou deixava-o a ser assistido no Hospital onde estava a soro, a oxigenio, morfina e onde podia ser prontamente auxiliado quando necessitava. Uma pessoa que dependa do seu trabalho para comer teria de deixar de trabalhar para cuidar DIA e NOITE de um doente como ele. Que foi o que nós fizemos até à exaustão e até ser inviável para nós pq não somos profissionais de saude. Mas será que todos podem fazer isso, meses e anos a fio?!
    Finalmente eu também percebi de que é que se trata este suposto abandono de idosos nos hospitais! As pessoas não têm para onde se virar, eu corri seca e meca por ajuda e a necessária nunca chegou, insistir em deixar lá o idosos é uma forma de pressionar o estado a cumprir a sua obrigação com gente que trabalhou uma vida inteira e contribuiu. Simplesmente não há estruturas de apoio aos familiares e idosos por parte do estado e esta é uma forma de os familiares dizerem: NÂO, o meu pai trabalhou desde os 9 anos de idade tem direito a não morrer em sofrimento em casa porque o dinheiro que deveria ser investido em cuidados paleativos está a ser roubadp por politicos e BOYS colocados estratégicamente em cargos publicos inventados para lhes darem bons tachos.


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